SOBREVIVENDO ÀS CRISES E TEMPESTADES – por FRED PAIM (palestrante exclusivo da Palestrarte)

by / sexta-feira, 19 maio 2017 / Published in Sem categoria
crise

Sendo um navegador desde criança, um executivo da área comercial desde jovem e um palestrante corporativo desde adulto, aprendí que as crises e as tempestades chegam, fazem algum estrago, mas em certo momento terminam. Quem passa por elas fica mais forte, mais sábio e mais preparado para as próximas, que certamente virão.

Lembrando a velha metáfora do holograma chinês para crise, que funde perigo com oportunidade, com toda certeza vamos sobreviver a esta e também às seguintes. Quem não se lembra dos pacotes econômicos dos anos 80, das incertezas dos anos 90 e das intermináveis crises políticas e econômicas deste século 21. Desde a grande quebra de 2008, sempre parecia que o apocalipse havia chegado. Mas nem mesmo os Maias acertaram que o mundo acabaria em 2012 e nada indica que irá antes dos próximos 5 bilhões de anos.

Em alto mar já enfrentei várias tempestades, assim como muitas crises na empresa. Em 1989, eu comandava um grande veleiro com 11 tripulantes. Numa longa regata oceânica, perdemos o mastro durante um temporal e levamos vários dias para chegar em terra, sem velas, sem rádio e sem os instrumentos que existem hoje. A tripulação ficou muito assustada, mas pude notar que alguns se entregam, enquanto outros exalam energia e buscam soluções criativas. O mesmo acontece no mundo dos negócios, composto por heróis lutadores em contraponto aos covardes entreguistas.

No olho do furacão, com tantas dificuldades e provações, nossa tendência é pensar que nada poderia ser pior. Então devemos lembrar de pessoas, empresas e até países que passaram por desafios muito maiores que os nossos, mas saíram fortalecidos e melhores. Em 1981 Steven Callahan perdeu seu veleiro no Atlântico Norte e sobreviveu 76 dias numa balsa precária. Depois deu a volta ao mundo e virou um ídolo no mundo náutico. Em 1997, a super inovadora Apple quase faliu, sim aquela do I-Phone. Hoje é a empresa mais admirada do mundo. Em 1945 a Alemanha estava destruída e marginalizada. Em poucos anos sua abnegada população reconstruiu um dos países mais ricos e evoluídos do planeta.

Acha que sua crise pessoal de hoje é maior que a do sujeito que quase morreu no mar? Que sua empresa está pior do que a Apple quando pediu socorro a sua maior concorrente Microsoft, que a salvou para não ser acusada de monopólio? Muito menos há razões para se pensar que o Brasil, nesta interminável crise de 2017, está pior do que a Alemanha em 1945.

Eles não apenas sobreviveram, como cresceram nas crises que enfrentaram. E o único motivo para sua retomada foi a vontade das pessoas, seja o indivíduo na jangada, a diretoria da empresa ou a população do país. Nenhum deles esperou por soluções milagrosas ou mirabolantes, suas forças motrizes foram apenas o trabalho e a motivação. Um bom líder faz a diferença, mas cada um agindo conta muito mais.

Nós Brasileiros também saíremos deste furacão, considerado um dos mais devastadores dos últimos tempos. Ele é intenso, mas será curto, portanto não vai demorar para o vento diminuir e as ondas baixarem. O barco em que estamos já estava danificado, mas continua flutuando, pois é muito forte. Balançou tanto que pudemos ver os ratos do porão tentando escapar. Localizamos aqueles que abalavam a estrutura de nossa embarcação. Alguns fugiram, outros foram capturados e serão tirados de circulação. O importante é que aprendemos como eliminar estes parasitas de nossos barcos, empresas e governos.

Também pudemos identificar os piratas infiltrados na tripulação, aqueles que só queriam o butim sem esforço, ganhando com o trabalho dos bons. Serão tão castigados que todo seu bando deixará de agir. Ao invés de roubar tesouros, irão no máximo bater carteiras dos incautos.

Lembrando que nosso velho barco continua firme, temos que agir rápido. Vamos consertar os estragos, cuidar dos tripulantes, traçar uma rota segura e voltar a navegar. Descobrimos que o capitão não estava preparado para o desafio, mas ele será jogado aos tubarões. No mínimo sairá do leme e irá para a cabine. Não sabemos quem será o novo comandante, mas a tripulação e os passageiros terão muito mais critério na sua escolha. E saberão cobrar uma boa condução, mantendo em mente que:

Tempestades e crises são indesejadas e sempre desafiadoras. Mas são uma oportunidade para nossa evolução, pois podemos aprender muito mais quando as enfrentamos do que quando estamos na calmaria.

Tempestades chegam sem aviso. Portanto, precisamos estar preparados previamente, conhecendo nossos potenciais, limitações e recursos para saber como manobrar. Não espere para agir, mas aja com cuidado administrando os riscos, canalizando o esforço e ajustando a rota.

Tempestades revelam uma visão distorcida da situação. Não parece existir solução, apenas o fim iminente. O medo pode nos paralisar ou despertar a cautela que nos faz refletir sobre as decisões. Supere o pânico para manter o foco, pois com criatividade, esforço e um bom plano podemos encontrar o caminho. Se esta é a pior tempestade que você já viu, saiba que pessoas com menos preparo enfrentaram e venceram desafios ainda maiores.

As tempestades revelam uma visão distorcida de nós mesmos. Achamos que estamos sozinhos e que agora é um cada um por sí. Ou sentimos auto-piedade, ficando com pena de nós mesmos. A vitimização paralisante é uma ótima desculpa para não agir. Lembre-se de quem você é, da sua experiência, do tamanho do seu mercado e da força de seu barco e da sua empresa. Precisamos parar para obter uma visão geral, reencontrar o rumo e navegar unidos, fugindo do salve-se quem puder.

As tempestades revelam uma visão distorcida do ambiente. Parece que estamos no pior barco e que ele está afundando, cercado de monstros marinhos. Sonhamos em estar no barco da concorrência, que parece mais preparado que o nosso. Até o mar deles parece mais calmo. Eles até podem ter um melhor, mas você não saberia navegar com eles neste mar agitado. Lembre-se que já atravessamos muitos temporais com nosso velho barco com essa mesma tripulação. Portanto, saiba que vamos conseguir superar.

Metáforas são uma figura de linguagem, mas essa analogia do Brasil com um barco é pertinente. O mar e o mercado nunca se acalmam, mas as crises e tempestades vêm e vão. Como Executivos, Empresários e, principalmente, Líderes não podemos mudar sozinhos os rumos do país e da Economia, assim como não podemos interefir no mar e no clima. Por outro lado, devemos navegar pelas águas revoltas, preservar nossa embarcação, buscar um porto seguro e manter os tripulantes vivos e motivados.

Como bons marinheiros e marinheiras, vista o colete salva-vidas e prepare-se para o pior. Mas também espere pelo melhor. Quem navegar mais rápido vai chegar na praia antes, encontrando os melhores frutos. O ditado diz que “depois da tempestade vem a bonança”, isso exige que o temporal seja vencido e que a oportunidade seja buscada. Se a tripulação não agir, o barco fica parado, anda para trás ou pode até afundar.

Mesmo longe do mar, a solução para a crise está na água salgada. Escolha se serão suas lágrimas ou o suor do seu trabalho.

Deixe uma resposta

TOP